<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653</id><updated>2012-02-16T16:52:27.896Z</updated><title type='text'>Luminária</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-4924669284454520664</id><published>2011-02-01T17:59:00.000Z</published><updated>2011-02-01T17:59:01.534Z</updated><title type='text'>A Janela de Buganvília</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TUhJuMJew7I/AAAAAAAAAMc/NQGZqHFok4c/s1600/PICT0011.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TUhJuMJew7I/AAAAAAAAAMc/NQGZqHFok4c/s320/PICT0011.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-4924669284454520664?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/4924669284454520664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=4924669284454520664&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/4924669284454520664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/4924669284454520664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2011/02/janela-de-buganvilia.html' title='A Janela de Buganvília'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TUhJuMJew7I/AAAAAAAAAMc/NQGZqHFok4c/s72-c/PICT0011.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-2601810870114188953</id><published>2011-02-01T15:18:00.001Z</published><updated>2011-02-01T15:31:33.749Z</updated><title type='text'>O Enigma da Maçã</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O céu estendia-se num espreguiçar colorido por cima do telhado castanho dourado de Buganvília. O lusco-fusco aproximava-se sorrateiramente por entre as diáfanas nuvens que migravam para oeste.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A casa de Buganvília estava bem acompanhada de árvores várias, baixas e frondosas, que num agradável amplexo proporcionavam um toque macio de verde refrescante, por entre os quais os raios de sol, sorridentes e mornos, ondulavam desde a aurora ao entardecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ao tempo desta parca descrição já o lusco-fusco se fazia sentir por toda a parte de baixo da casa, quase alcançando as janelas. Era um costume de há anos o lusco-fusco aproximar-se por debaixo da casa e lentamente começar a subir até atingir as janelas do primeiro andar e num repente como que num solavanco abocanhar completamente as varandas do andar superior, onde Buganvília preparava o seu banho perfumado com pequenas flores azuis de jasmim. Buganvília apreciava banhar-se ao entardecer. Abandonava o corpo sedoso nas fragâncias espumosas e deixava-se embalar pelo sussurro do vento lá fora, numa agradável e doce melodia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Naquele dia aquele banho estava particularmente agradável, tão agradável que Buganvília se deixou adormecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;Buganvília adormeceu, leve e sedosa, num sussurro, embalada pelas águas cálidas daquele banho perfumado.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Buganvíiiliaaa, Buganvíiiliaa espera. Era Carlos. Buganvília ria e continuava a pedalar, alegremente, ao sabor do vento como um barco à vela, pedalava e ria. Carlos corria atrás dela, e ela, diminuindo lentamente a velocidade, deixou-se apanhar. Riam os dois. Rebolaram pela clareira quase até junto ao rio. Detiveram-se exaustos por debaixo da cameleira, riam como crianças, livres. O chão ao lado deles estava atapetado &amp;nbsp;de maçãs, verdes, frescas, perfumadas, desejosas de serem saboreadas por bocas quentes, apaixonadas. Carlos deitou-se para trás. Fingindo que observava o céu meteu-se por uma deambulação adentro sobre a famosa dentada que Adão dera na maçã. Toda a vila falava sobre isso. Tinha sido a Eva que lha dera, já não era segredo para ninguém. Não se falava noutra coisa e até Carlos e Buganvília estavam interessados nas últimas sobre aquele acontecimento que tanto perturbara as vidas pacatas dos moradores de Vila Paraíso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Adão ficara branco como a neve, uma indisposição terrível. Dizia-se até que Eva o podia ter envenenado. Mas para quê? Não eram eles um casal tão dedicado? Toda a gente sabia que mais dia menos dia aquilo dava em casamento. Bastava que ambas as familias estivessem de acordo quanto aos dotes. Mas depois do sucedido o pai de Adão, que tinha a mania que era deus lá no sítio, proibira-o de ver Eva e até pusera dois gaiatos à entrada da casa para manter Adão bem quieto no seu interior. Os rapazes eram inflamados e passavam o dia a inventar com que se degladiarem só para ouvirem o tilintar das espadas. Adão ficou uns quantos dias a dormir, a maçã caira-lhe mesmo mal. Na verdade a única coisa que lhe encontraram fora uma lagarta branca. Adão no seu delírio febril falava de uma serpente, mas era apenas uma lagarta da fruta. Por seu lado Eva, chorosa, não sabia como explicar o que se estava a passar. A única coisa que ela sabia é que naquele dia tinha ido andar de bicicleta com Adão. Foram nadar até à cachoeira junto à cameleira. Há sempre muitas maçãs no chão, vermelhas, verdes, mas todas tinham um ar lustroso, refrescante e apetitoso. Eva despiu-se para se banhar e pegou numa maçã para a lavar na cachoeira. Adão já evidenciava alguns sinais de insolação, mas acabou por mergulhar também e cedeu a comer aquela maçã fresca, vermelha, molhada, suculenta, que Eva trincara e lhe estava a partilhar. Adão comeu, comeu, e acabou por comê-la toda, Eva estava esfusiante e ria, ria, ele tinha-a comido toda, e dizia ele que não tinha fome. Dali foram os dois de novo para casa, o sol já se punha e ouviam a voz do pai de Adão a chamá-lo. Horas depois Adão estava febril, delirando, na cama.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;   &lt;o:RelyOnVML/&gt;   &lt;o:AllowPNG/&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:TrackMoves/&gt;   &lt;w:TrackFormatting/&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:DoNotPromoteQF/&gt;   &lt;w:LidThemeOther&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:LidThemeAsian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt; 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E nisto deambulavam os dois quando Buganvília se começou a despir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não, não, não não não, não não não, não vais tomar banho nesta cachoeira. Mas Buganvília, rindo, escapou-se-lhe e mergulhou. Carlos foi atrás. Nadaram, riram, tocaram-se, beijaram-se, amaram-se dentro de água, e por fim, comeram uma maçã. Era doce, era fresca, era suculenta e saborosa...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De repente Buganvília começou a aperceber-se que Carlos estava a ficar muito branco, cada vez mais branco. Buganvília ficou muito aflita, mas não sabia o que havia de lhe fazer, não conseguia sequer tirá-lo da cachoeira. Carlos estava branco como a neve, e começava a ficar&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;diáfano, como se estivesse a... a dissolver-se na água. E dissolveu-se, lentamente, ondulante, mesmo por debaixo do nariz de Buganvíiiliaaa....&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Buganvíiiiliaaa... chloafafachloaf&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;aahhh&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Buganvília acordou um pouco assustada, o pé fugira-lhe resvaladiço por entre as pedras musgosas do riacho. O banho já estava frio. Lá fora o lusco-fusco já tinha partido. Era noite cerrada. Buganvília saiu do banho, secou-se, e cantarolando desceu as escadas. No andar de baixo, na sala já aquecida, o jantar esperava por ela. Carlos rodeou-a pela cintura, cheirou-a, soltou um suspiro. Na mesa uma cesta cheia de maçãs frescas esperava por eles.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-2601810870114188953?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/2601810870114188953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=2601810870114188953&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/2601810870114188953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/2601810870114188953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2011/02/o-enigma-da-maca.html' title='O Enigma da Maçã'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-9097845186749030013</id><published>2010-09-11T10:54:00.000Z</published><updated>2010-09-11T10:54:17.694Z</updated><title type='text'>A Roda do Mundo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se no meio daquela praça quadrada onde o sol apenas entrava pelo braço norte, pela Rua da Memória. Olhou em volta. Era uma praça quadrada. Quatro ruas, e apenas quatro, convergiam até ali. A Rua da Memória, a Rua do Esquecimento, a Rua do Devir e a Rua da Bica Pingada. A praça era cinzenta. Os prédios altos eram tão altos que não deixavam passar o sol, pelo que este só aparecia pela Rua da Memória que era a única que tinha uns edificios todos em vidro o que possibilitava a passagem da luz, refractada, é certo, mas extensa, um pouco estreita, mas ainda assim, luminescente o suficiente para provocar nos traseuntes algum alívio da lividez que lhes ocorria ao deterem-se ali por muito tempo. Não havia cor. Os prédios eram altos, cinzentos. Eram rectangulares, cheios de janelas pequenas, quatro por andar. Eram altos e cinzentos e cheios de janelas quadradas e pequenas. Não havia luz, não havia cor. Havia som, um burburinho constante, como uma moinha, um zumbido permanente no mercado que decorria sempre naquela praça. Era o mercado dos infortúnios, onde todos os que precisavam de um pouco de descanso vinham comprar os seus, para poderem, tá visto, descansar... ter um pouco de paz. Sentou-se e esperou. Observou tudo e todos à sua volta. As pessoas não sabiam que eram cinzentas, com um leve roçar amarelado, diga-se, mas cinzentas. Observou-as a chegar, a escolherem um lugar junto ao chafariz central onde dali a nada chegavam os saltimbancos dos infortúnios com a sua mercadoria. Os stands já estavam montados. Estavam sempre montados. Era um negócio muito lucrativo. Todos haveriam de querer e poder, claro, um dia, pagar para ter um qualquer infortúnio, uns dias de férias forçados, solidários... Observou também os cães e os pombos, o chão e o céu. O céu estava lá tão em cima que o cinzento não lhe podia chegar, então o cinzento ficava a pairar pela cintura dos prédios altos, o que de certa forma impossibilitava as pessoas de olharem o azul do céu, que estava demasiado acima. Observou a sua respiração. Era lenta, descansada, sem pressas, um pouco fria e húmida, talvez já com um leve toque febril, talvez já um pouco cinzenta. Começaram a chegar os feirantes, engravatados, com as suas suitcases em pele, os seus pda’s, eram homens cheios, tão cheios que pouco lhes sobrava de tempo. As pessoas começavam agora a aglomerar-se à volta dos stands. Antigamente chamavam-se-lhes barracas, mas hoje seria uma ofensa. Grande tumulto, toda a gente a negociar qual a melhor maleita, qual a melhor desgraça, que hospitais escolher, e as companhias de seguros. Podiam falar também das prescrições e adiantar trabalho, já ia a ficha mais preenchida quando o caso chegasse a vias de facto. Esperou e observou, sempre com olhar atento. Logo vieram sentar-se a seu lado 3 mulheres, já tinham feito as suas compras e estavam satisfeitas. Como quem não quer a coisa esticou a orelha para ouvir o que elas tinham comprado a ver se lhe soava bem. A primeira estava satisfeitissima, tinha realizado uma bela compra, baixo custo, em hospital estatal, uns belos dias de repouso sem sair da cama. Tinha ela comprado um acidente de viação. A outra era mais ligada aos seus, à terra e ao seu chamado, preferiu comprar um ataque do seu prórpio cão de guarda. A mais nova das três, estava entediada, escolheu algo diferente e primou pela originalidade e ousadia, uma briga haveria de levar-lhe o marido para os braços de outra e uma garrafa de ácido seria eficaz para lhe queimar os seus próprios braços e um pé. Ficou ali a digerir aquela informação, a ver o entusiasmo envolvente, a perceber se se envolveria com ele. Não conseguia decidir-se. Já ali tinha estado antes e comprara sempre acidentes. Agora queria algo mais controlado, pois isso simbolizava uma maior autonomia face ao control. Acabou por se decidir por um pack flexivel e optou por uma infecção, que não haveria de ter consequências tão fortes quanto os acidentes, mas pelo menos dava-lhe quase 3 semanas de repouso. Contrato assinado era altura do reset de memória. Ninguém saía daquela praça sem o ter feito. Instalado o novo programa era como se sempre tivesse estado lá e a lembrança daquele acordo passaria para os confins do subconsciente. Ao início da tarde todos já estavam servidos e amnesiados. Já não se lembrava(m) porque estava(m) ali. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentou-se no meio daquela praça quadrada, junto ao chafariz e esperou, observando os rostos alheios à procura de uma expressão nos seus olhares. Nada... não encontrava nos olhos que se cruzavam com os seus mais que esquecimento e apatia. Todos percorriam assim as avenidas e a praça apenas caminhando pela indiferença. Subitamente ouviu-se o som de uma travagem, um estrondo, um embate, numa avenida perpendicular à Rua do Devir... suspensão... como que um despertar e todas as pessoas agora se remexiam dentro dos seus próprios corpos, incomodadas pela memória celular ao relembrar alguma coisa bem escondida, e que as fazia finalmente sentir... como uma droga. Muitos dirigiram-se para lá, em tumulto, aos tropelões... há coisas que só acontecem aos outros... e assim permaneciam na ignorância após aquela dose segura de adrenalina. Caminhou lentamente, satisfazendo a curiosidade daquele jogo interior que lhe dizia que apostava que aquele acidente teria ocorrido com uma daquelas caras que mesmo agora haviam partilhado consigo a mesma curva do chafariz, a mesma curva temporal, como uma janela aberta a todas as possibilidades, potencialmente escolhidas em consciência. Aproximou-se e viu pelas reentrâncias do movimento dos corpos em excitação pela dor alheia, que era de facto uma das três mulheres que anteriormente falavam alegremente sentadas ao seu lado, no chafariz. Parecia não ser muito grave, mas haveria de lhe dar uns bons meses de descanso. Afastou-se em passos lentos, absorta na estranheza da ideia de que nada acontece que não seja por escolha própria... estranhos prazeres a que nos entregamos para que possamos por momentos parar, sentir, olhar e ver, apenas, deixando fluir a vida e a verdade do universo... afastou-se, cada vez mais, enquanto lentamente se espalhava pelo seu corpo o desconforto asténico, febril, e a urgência de se enroscar e dormir. À sua passagem os pombos, num adejar cinzento e empoeirado, afastavam-se inseguros para logo à frente retomarem os seus rituais de acasalamento... e a roda do mundo perpetuava a girar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-9097845186749030013?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/9097845186749030013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=9097845186749030013&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/9097845186749030013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/9097845186749030013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2010/09/roda-do-mundo.html' title='A Roda do Mundo'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-4201417364944698143</id><published>2010-09-06T21:37:00.000Z</published><updated>2010-09-06T21:37:52.443Z</updated><title type='text'>Corpo em musgo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TIT1A46_6mI/AAAAAAAAAMM/H4KD36Bb9AU/s1600/Cascata.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TIT1A46_6mI/AAAAAAAAAMM/H4KD36Bb9AU/s320/Cascata.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Fios de água entretecidos descem serenos, em cascata, pelo corpo em musgo, num murmúrio doce e cristalino, como pássaros de asas soltas ao vento quente de fim de tarde, despertando no corpo a memória cálida do toque suave dos teus dedos nos meus... despertando no corpo memórias tão antigas como o tempo em que o tempo era nosso, sereno e suave, e também ele corria doce como a água, por entre o toque dos teus dedos, no meu corpo em musgo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-4201417364944698143?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/4201417364944698143/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=4201417364944698143&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/4201417364944698143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/4201417364944698143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2010/09/corpo-em-musgo.html' title='Corpo em musgo'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TIT1A46_6mI/AAAAAAAAAMM/H4KD36Bb9AU/s72-c/Cascata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-3384542971131208246</id><published>2010-09-04T21:15:00.001Z</published><updated>2010-09-04T21:18:55.735Z</updated><title type='text'>Quatrilenga</title><content type='html'>Eram quatro penas de pavão, estendidas ao sol, na cauda de um varandim. O sol estava preguiçoso, torpe, sonolento, deixou-se cair para o lado sobre o rio cálido do anoitecer do corpo dela, estendida sobre a cama, lânguida, sonolenta, torpe, preguiçosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram quatro sentidos sem sentido, estendidos ao sol, quatro irmãos de indiferença. Todos eles únicos, poderosos, alegres, em viagem espiralada... Ela sentiu-os através dos vidros do antigo varandim, espreitando, insidiosos, os movimentos ociosos do seu corpo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram quatro tempos e um acorde de quarta aumentada, cairam-lhe em cima de cama, disparados do quarto andar. Quatro diabos melódicos, delicados, doces, despertaram-lhe os sentidos em impulsos delicodoces...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram quatro, sempre quatro, até ao infinito, a repetir-se, sempre a repetir-se até que ao fim da eternidade lhe sucedesse o cinco!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-3384542971131208246?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/3384542971131208246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=3384542971131208246&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/3384542971131208246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/3384542971131208246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2010/09/eram-quatro-penas-de-pavao-estendidas.html' title='Quatrilenga'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-1086232885218734848</id><published>2010-09-02T02:12:00.000Z</published><updated>2010-09-02T02:12:21.353Z</updated><title type='text'>Como Cuidar de Ti</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TH8H_Q-xVMI/AAAAAAAAAME/iL-lCscecbg/s1600/132%2520-%2520Como%2520cuidar%2520de%2520ti.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TH8H_Q-xVMI/AAAAAAAAAME/iL-lCscecbg/s320/132%2520-%2520Como%2520cuidar%2520de%2520ti.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-1086232885218734848?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/1086232885218734848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=1086232885218734848&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/1086232885218734848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/1086232885218734848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2010/09/como-cuidar-de-ti.html' title='Como Cuidar de Ti'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TH8H_Q-xVMI/AAAAAAAAAME/iL-lCscecbg/s72-c/132%2520-%2520Como%2520cuidar%2520de%2520ti.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-1569064520005386820</id><published>2010-09-02T02:00:00.000Z</published><updated>2010-09-02T02:00:28.444Z</updated><title type='text'>Os gatos não são como as pessoas…</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TH8FLgtiOAI/AAAAAAAAAL8/aMJhYRUqKQU/s1600/PICT0248a_2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TH8FLgtiOAI/AAAAAAAAAL8/aMJhYRUqKQU/s320/PICT0248a_2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;… Não comeram da maçã, não falaram com serpentes, nem conheceram Adão, não estão nus por dentro nem por fora, nem na alma nem no corpo, não respeitam a deus e não têm vergonha, não se envergonham de nada, não enveredam por vãs estéticas, nem pelas futilidades televisivas, não fazem dietas, nem usam batons, nem perfumes para sair à noite, não pintam o pêlo nem lavam os dentes, mais não querem que comida na tigela e água fresca e uma mão que os afague quando muito bem lhes apetece, não embarcam em coscuvilhices de alcova, nem em hipocrisias caseiras, são o que são sem medos, inseguranças, ou outros ardis quotidianos cheios de nada, não lêem livros nem jornais, não vão a palestras nem ao teatro, não comentam a cor do pêlo de outros gatos nem outras ambiguidades que tais, mas dormem, dormem muito e sonham, sonham com comida, com o paraíso dos gatos e comida, e o deus dos gatos e comida, e acordam para comer e voltam a dormir e a sonhar, e no intervalo desta azáfama brincam, saltam e correm e zangam-se, e falam com as pessoas sem entender que elas já não os entendem, voltam então a brincar, com novelos e pássaros e canetas e pendentes, e com o maço de cigarros deixado ao pé do computador, e não têm consciência pesada pelo peixe que pescaram do prato em cima da mesa e fogem sem que na verdade o medo tenha uma forma concreta, e saltam pelos telhados e vão às gatas pela noite fora e voltam e começam tudo de novo, sem tédios nem tormentas nem questões existenciais, e são felizes, sem possuir, uma consciência narcísica ou sequer o conhecimento de que são gatos e são livres…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-1569064520005386820?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/1569064520005386820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=1569064520005386820&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/1569064520005386820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/1569064520005386820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2010/09/os-gatos-nao-sao-como-as-pessoas.html' title='Os gatos não são como as pessoas…'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TH8FLgtiOAI/AAAAAAAAAL8/aMJhYRUqKQU/s72-c/PICT0248a_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-859097764201102525</id><published>2009-09-15T02:19:00.001Z</published><updated>2009-09-15T02:22:38.288Z</updated><title type='text'>Definições</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Vivem nos beirais dos telhados, em frente da minha janela, ervas silvestres em verde seco, que florescem descaradamente em tons de rosa flamejante, como se lhes fosse permitido florir com a mesma naturalidade que uma planta cientificamente classificada, daquelas que crescem em jardins botânicos, especializados em plantas cientificamente classificadas. Vejo-as viver, respirar e sorrir com o sol e com os gritos das gaivotas pela manhã. À noite espreito-as e encontro-as aninhadas, juntinhas, protegendo-se do frio e da humidade que vem do rio. Vivem nos beirais dos telhados e não têm nome, nem classificação científica. Pessoas, que poderíamos pensar mal intencionadas, diriam que eram apenas ervas daninhas, e que por isso vivem nos beirais dos telhados. Mas não são mal intencionadas, apenas ignorantes. E as ervas que crescem em frente da minha janela, nos beirais dos telhados, não sabem da existência das pessoas ignorantes, nem dos jardins especializados em plantas cientificamente classificadas. A sua totalidade é simplesmente viver, com o sol e a liberdade, em cima dos telhados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes à noite oiço-as sussurrar, em cima dos telhados. E quando sussurram é como um aviso que vem com o vento, que diz que o amarelo e o pardo vão pegar-se por um pedaço de nada apanhado num saco do lixo perdido na rua. A rua é pequena e os telhados são das ervas silvestres. O amarelo e o pardo nem sempre concordam com a divisão de território e os gritos agudos que elevam pela noite solitária fazem gelar os ossos. Quando amanhece, a rua é das pessoas, e o amarelo e o pardo já não disputam a fronteira dos seus territórios de acasalamento e sobrevivência. Coabitam em silêncio e tentam passar despercebidos. Sabem que no silêncio salvaguardam a sua liberdade. Para as pessoas ignorantes o amarelo e o pardo são vadios, não têm nome, nem classificação científica, não têm registo da sua árvore genealógica, nem sabem o que isso é. A totalidade deles é viver, simplesmente, apanhar sol e serem livres e caçarem à noite na rua deserta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, o pardo aventura-se fora do seu território e desce a rua até ao cruzamento onde as escadinhas o fazem subir a outra realidade, onde há outros semelhantes, que como ele procuram na noite o seu sustento. Há certas noites que o pardo encontra um outro ser pelo caminho. Costuma deitar-se no banco ao cimo das escadinhas. O pardo já o conhece pelo cheiro intenso. Observa-o e não o compreende. Não sabe que são de espécies diferentes, não sabe classificar isso. Mas o pardo não é propriamente ignorante, pois se o fosse diria que aquele ser era um vagabundo. Para o pardo ele é apenas um ser, que na profundidade dos seus olhos, transporta a história do mundo. O ser ressona enrolado num cobertor velho. O pacote de vinho de temperar tombado no chão. O pardo observa e pergunta-se se ele terá deixado algumas sobras nos sacos do lixo. O ser não sabe da existência do pardo, nem das ervas silvestres nos beirais dos telhados, nem das pessoas ignorantes. A sua totalidade é ser todas as pessoas do mundo, todas as realidades aparentes, todas as ilusões verdadeiras. No fundo dos seus olhos, todos os medos dos homens, e todas os desejos inocentes dos que um dia o hão-de ser. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-859097764201102525?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/859097764201102525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=859097764201102525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/859097764201102525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/859097764201102525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2009/09/definicoes.html' title='Definições'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-5613666840118905008</id><published>2009-09-07T02:16:00.006Z</published><updated>2009-09-08T01:14:39.902Z</updated><title type='text'>Requiem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Acendeu um cigarro quebrando o silêncio do quarto. Já não fumava há anos. A chama iluminou a treva que o envolvia, densa, tentacular e subversiva. O quarto estava praticamente vazio. Uma mesa, uma cadeira, uma cama de corpo e meio, e um espelho. Aquela luz no espelho reflectiu o tumulto do mundo e do seu interior. Vozes, mil, imagens e impressões. Algumas, reconheceu-as. Deixou-as ir. Finalmente tinha compreendido que não as podia agarrar. Já não o queria, já não precisava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fumo acinzentado descrevia um ritmo sensual em direcção ao vazio, subindo, por ser leve, e porque o vazio é sempre no andar de cima. Fumou o cigarro lentamente. Fumou o silêncio junto com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou de soslaio o espelho. Entrava uma réstia de luz pela janela esconsa das águas-furtadas. O candeeiro lá fora permitia vagas nuances de percepção, intermitentes, como soluços alaranjados. O efeito, poder-se-ia dizer, era como um filme, ou um sonho. Sentia-se a sonhar a vida, qual actor secundário do seu próprio guião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou o espelho. No instante anterior não estava lá nada, e agora um rosto, um corpo, que denunciava as formas femininas de uma memória demasiado viva, demasiado presente. Como se tivesse sido accionado o botão de fast forward, viu passar um amontoado de imagens avançando rapidamente no tempo, precipitando-se para o momento presente, vindo abruptamente ao seu encontro, naquele quarto. Um rol de cenas da vida que vivera até então. Cenas que não estavam montadas, ainda, para que fosse coesa essa experiência. Estavam todas ali guardadas, como num baú antigo, demasiado velho e empoeirado para ser aberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sentiu nada, deixou-as ir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedeu-se outra imagem, outra mulher, diferente da anterior, igualmente esquecida, igualmente mal resolvida, mais uma memória a precisar de espanador, ou mesmo de um bom balde de água e lixívia. Novamente as imagens se sucederam em catadupa, e sempre assim, repetidamente. Ora uma mulher, ora um homem, ora uma situação escondida, aparentemente sem importância, aparentemente esquecida, ou nunca lembrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia mais como tinha dado início àquele processo. Não conseguia pensar. E sem aviso voltou tudo de novo, todas aquelas imagens, aquelas pessoas, as mesmas cenas. A solidão era agora como uma coisa sólida, viscosa, que se lhe agarrara ao corpo, à alma. Sentiu frio, muito frio. As mãos começaram a gelarem-lhe, e os pés fizeram-lhe companhia. O frio estendeu-se pelo corpo todo, por fora e por dentro, e escapava-se para o exterior de si numa névoa esbranquiçada. O silêncio era agora um peso sobre o seu peito, denso, acastanhado. E veio a dor, a angústia e o soluço. Quentes e insalubres as lágrimas verteram em torrentes convulsivas, como um rio que corre rápido à procura do mar para se lhe unir. Unir-se a quê? Unir-se a quem? Estava só. Só. Chorou. Chorou até sentir o âmago da sua dor junto à massa óssea e dissipar-se, pelo corpo, enchendo-o de um vazio gélido e contundente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirou fundo inalando o momento com todas as suas forças, integrando-o em si, aceitando-o. Olhou de novo o espelho. Voltaram todas as imagens, mas agora todas elas tinham o seu rosto, a sua pele, o seu corpo, gasto, velho e doente. Tinha sido sempre ele, sempre ele, sozinho. Todas aquelas imagens… toda aquela vida… sempre ele, sozinho… sempre ele, uma imagem apenas, no espelho… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu finalmente um sorriso, de dentes gastos pelo tempo, pela solidão. Olhou-se e viu-se inteiro, e viu que nada tinha sido em vão, mas que já não podia repetir-se. Não podia repetir-se nem hoje nem sempre, que tudo era nada… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o seu rosto então transformou-se, a sua pele a alisar-se a tornar-se branca, tão branca e de tal pureza que lhe arrancou um calafrio. Os cabelos negros como a noite, compridos e lisos, os lábios carnudos e vermelhos afloraram naquela pele, sorridentes. Os olhos traziam cumplicidade e brincavam marotos com o brilho que lhe era próprio. Escuros, densos. Esta mulher ele nunca vira, apesar de muito ter falado sobre ela toda a sua vida. Era bela, toda vestida de negro. Mas o seu olhar era frio e distante como se não conhecesse o tempo. Com um sorriso a brincar-lhe no rosto, ela chamou-o. Lentamente levantou-se e dirigiu-se ao espelho. Ela estendeu-lhe a mão. Pegou na mão dela e deixou-se ir, primeiro um pé, depois o outro, sem esforço, sem resistir, entrou no espelho. Finalmente Era, como sempre devia ter sido. Agora podia compreender tudo. Não havia mais dor, nem esquecimento, tudo era claro, como a água límpida de um rio que se apressa em chegar ao mar para se lhe unir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-5613666840118905008?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/5613666840118905008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=5613666840118905008&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/5613666840118905008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/5613666840118905008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2009/09/requiem.html' title='Requiem'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-5788558398353178811</id><published>2009-08-25T00:18:00.005Z</published><updated>2009-08-25T00:44:20.326Z</updated><title type='text'>... de um Diário... ao acaso...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;A Lua&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;É doce a chuva que cai lá fora. O cinzento do dia cobre a visão da janela deste quarto impessoal onde imprimimos os nossos gestos e palavras numa sede de estar para além do que nos rodeia, como um refúgio só nosso, onde nada nem ninguém macule o nosso querer. Recordo a noite que passou, o toque dos teus lábios, o frémito da minha pele ao toque dos teus dedos, o luar e a voz do mar, e o brilho dos olhos dos anónimos passageiros deste barco, que parecem felizes ao simples estarmos aqui, juntos, como uma conspiração universal, de algo inevitável e inadiável, como se disso dependesse o rodar do planeta à volta do sol. É uma recordação onírica, uma alegoria quase implausível, os momentos que passamos juntos. E contudo, aqui estamos nós. Olho-te e velo o teu sono, e nesse olhar acaricio a tua pele, a essência do teu ser que só os meus olhos conhecem, e amo-te. Nesse amor, seco o sal dos meus pensamentos, o ardor no peito da memória do estranho sonho que me despertou tão cedo e que não compreendo o estar ali tão estranhamente descontextualizado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Pego num livro e leio, procuro nas suas páginas a minha origem mais antiga, a marca da minha vontade, a razão de estar ao teu lado. É obscura a sua mensagem, mas o teu nome está presente, como sempre estivera, oculto pelo sangue dessas águas da memória que brotam num árido vale de pensamentos e desejos, tão antigos como o mundo. Mergulho de novo na inconsciência, desta vez com a certeza de que esta história terá um eco, e que esse eco ressoará indelevelmente na mente de todos os narcisos, quando a aridez da terra não lhes permitir jamais a presença desses lagos que alimentam a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uns meses atrás estas palavras seriam apenas uma jocosa probabilidade engendrada pela ironia das possibilidades infinitas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cântico do mar brinda o astro dourado que nos saúda. Os nossos olhos sorriem nesse despertar e nele nos entregamos, tão completamente que o tempo podia ter parado. Mas Cronos é irredutível na sua demanda e o momento é quebrado pelo som apressado de uma voz alheia ao nosso estado de sermos um só.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Os gestos de amor repetem-se inequivocamente, como que por vontade própria…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanho-te neste teu início de dia, como se o mundo não fizesse parte dos meus planos, e o quotidiano mais não fosse que uma história paralela à minha vida, que agora abraço com outro toque. Conto-te o meu plano, convido-te a fazer parte dele, e um instante que não lembro, vem-me à memória o dia em que te conheci, como algo tão distante, e tão infinitamente presente…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que falámos nessa noite? Que músicas passaram? Impressões crepusculares, indistintas, ao lembrar o teu olhar e a leveza do teu sorriso nele. O vinho que bebia lembro-o hoje com tonalidades sangue-dourado, como o pulsar divino da vida nas veias e teias deste labirinto de Creta que é a minha vida. Ainda não sabia nesse dia, que esse sangue-dourado tinha o sabor da tua pele…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-5788558398353178811?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/5788558398353178811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=5788558398353178811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/5788558398353178811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/5788558398353178811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2009/08/de-um-diario-ao-acaso.html' title='... de um Diário... ao acaso...'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-3710566030271713421</id><published>2007-08-28T13:06:00.004Z</published><updated>2010-09-04T19:24:30.142Z</updated><title type='text'>Onde Páram os Deuses?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Amanheci cinzenta como o dia. Levantei-me e rasguei em pequenos pedaços os sonhos que me atormentaram a noite. Deitei-os no lixo orgânico…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi um incenso, para perfumar o dia, e sentei-me à beira-janela das traseiras, contemplando as aves no céu dourado, enquanto saboreava o ácido-doce de uma maçã verde rosada… – Salve Vénus! Mas Vénus já não se via no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tinha, presas nos dentes, algumas palavras da noite anterior, que com a maçã se soltaram, sorrateiras, ecoando devagarinho na memória, – Onde param os Deuses? Reflectia nos seus contornos, e um sorriso zombeteiro aflorou-me o pensamento de: -Não estariam eles de férias… num desses destinos típicos das “pessoas felizes”… Varadero… Cancun… Phuket… E porque não? Com as facilidades que há por aí… Os créditos ao consumo que, como cogumelos num dia húmido de Outono, irrompem pela floresta urbana…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei a maçã e reparei num par de olhos de mar em atenta observação dos meus pensamentos. Amina miou, esperando a mesma rapidez de compreensão de mim para ela. Com um pouco mais de atenção percebi que me dizia, – cuidado, vê lá como falas dos Deuses. E nos olhos dela vi passarem Peleu e Tétis, Aracne, Pandora… Pandora… Sorri-lhe e desvio o olhar dos seus olhos que a esta altura, de fixos, se multiplicaram na possibilidade de Argo, mostrando-me, talvez, que os Deuses não dormem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho de novo pela janela e observo o burburinho lá fora, multicolor e agitado. Acendo um cigarro e retomo o dia pela porta do meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro das ruas, na sua azáfama matinal era um vício lânguido de saborear. Junta-se-lhe os sons e as cores, e o prazer do local entranha-se-me na pele. Frutos de todas as tonalidades, especiarias, óleos e essências, flores, num misto perfumado que delicia os sentidos… Tecidos, e vestidos, e jóias. E aves de todas as cores. Música ecoava pelas ruas vindas dos dedos e das bocas dos menestréis adocicando o ambiente. Palavras soltas, em regateio, outras, eram transacções finalizadas… Passeio, e observo, e contemplo, e absorvo. Era tudo tão vivo e tão alegre. E os cães ladravam agitados, e os cavalos reclamavam o almoço tardio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem puxa-me a manga do vestido… – menina, menina, que me diz deste belo exemplar?... A seu lado um belo pavão exibe os seus atributos e olha-me com olhar penetrante… – Trinta moedas de prata, menina, trinta dinheiros, uma pechincha… Sem ter tempo para responder, logo um velho de nariz adunco me assalta a atenção replicando com um sorriso a bailar-lhe nos lábios que não disfarçavam o ar coercivo… – Se precisar de um empréstimo, menina, faço-lhe juros baratos… e sorria desdentado com o reflexo pecuniário a transbordar-lhe dos olhos…&lt;br /&gt;…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Perco-me de rir com aquilo e decido-me por um leão azul, ou seria uma pantera?, com um passo tão ágil como delicado, que não deixava dúvidas na escolha. Resolutamente ela caminha a meu lado e percebo que não pertence a nenhum mercador… Caminhamos, rua abaixo e a feira extingue-se, lentamente, atrás de nós… e os cheiros, e as cores, e a música, e o burburinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol vai alto e um dos seus raios desponta agora por entre as nuvens cerradas de azul-cobalto. Bate-me certeiro num olho e desperto. O seu sorriso zombeteiro lembra-me que estou atrasada… tenho de perder a mania de estar sempre a acordar dentro dos sonhos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo um duche rápido… trinco à pressa uma maçã verde rosada… escolho um vestido azul… pego na trela e saio para o trabalho na companhia do meu leão-pantera azul, que agora é também dourado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar à rua saúdo Vénus, que já não se vê no céu… e lá vou cogitando, neste dia cinzento de Verão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas onde param os Deuses?&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-3710566030271713421?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/3710566030271713421/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=3710566030271713421&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/3710566030271713421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/3710566030271713421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2007/08/onde-pram-os-deuses.html' title='Onde Páram os Deuses?'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2700377552154745653.post-1174052451396718258</id><published>2007-04-25T23:25:00.006Z</published><updated>2010-09-04T19:28:42.036Z</updated><title type='text'>O Céu está mais Azul!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na cidade do nosso descontentamento, luzeiros nocturnos desvanecem ao raiar do luar da aurora. Passos surdos caminham inseguros, na tela mal iluminada da calçada onde se escreve a nossa história. O Sol tarda e a Lua ainda não partiu, deixando no azul o sabor da noite, nos corpos. A melodia da rotina principia em andamento lento, em crescendo… Os odores alastram pelos corredores ainda mal iluminados nos interiores desconhecidos. E o Sol espreguiça-se, ao longe, anunciando o seu turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos surdos misturam-se agora na melodia crescente do quotidiano imposto, como regra secular, em movimento giratório constante…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engrenagem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descem as vendas sobre os olhos. O Sol ofusca, irradiando num acto visceral, o seu poder de ocultar a forma primordial dos sentidos… E caminhamos lestos… para lado nenhum… com a alegria visível da nossa insanidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tresmalhados sussurros fazem-se ouvir pelos cantos insuspeitos da cidade nua, como uma secreta arma de frente de libertação. Dizem, numa cadência subliminar, que se confunde com os ruídos dos passos em volta, que o Céu está mais azul…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… Inspiradores da audácia…&lt;br /&gt;… Desavergonhados sem escrúpulos…&lt;br /&gt;… Dementes do impropério…&lt;br /&gt;… Hereges de causa oca…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritam temerosos os que passam ao largo, de vendas firmemente atadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meio-dia o louco da cidade reverbera inconsequentes palavras em praça pública, que já ninguém ouve, por adaptação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toda a Verdade é única e Verdadeira&lt;br /&gt;- Tu és a Tua Verdade…&lt;br /&gt;- Ó Francisco!!!&lt;br /&gt;- “Qu’ é?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ninguém ouve, e olham de soslaio, com receio de contaminação…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Hoje acordei com um raio de sol filtrado por entre reentrâncias de sonho, tecidas a vento quente em areias cálidas, de desertos férteis em desejos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci-me da venda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor do café desperta-me um sorriso e digo-te:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já viste que o Céu está mais azul?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2700377552154745653-1174052451396718258?l=airanimul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://airanimul.blogspot.com/feeds/1174052451396718258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2700377552154745653&amp;postID=1174052451396718258&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/1174052451396718258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2700377552154745653/posts/default/1174052451396718258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://airanimul.blogspot.com/2007/04/dfhnfhdfh.html' title='O Céu está mais Azul!'/><author><name>L.R.S.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12580597383557510723</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://1.bp.blogspot.com/_cFLtemIO_fg/TVAr5KM6smI/AAAAAAAAAOY/DTdxcbJjWmQ/s220/EndNiz.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
